Quesada gigas (Olivier, 1790)
Descrição: corpo largo e robusto de coloração esverdeada com manchas pretas nos segmentos torácicos e dorso-lateral do abdômen; região ventral do corpo coberta por uma secreção pul-! verulenta branca.
Cabeça: verde, apresentando na região do vértice uma larga faixa transversal preta que se prolonga até a base das antenas; fronte longa e proeminente mais ou menos angular com faixas pretas na sua parte dorsal; olhos compostos projetados e circundados internamente por uma mancha semi-circular preta; rostro atingindo as coxas posteriores, com o primeiro e segundo articules verdes e a metade terminal do terceiro de coloração preta (Fig. 1 A).
Tórax: apresentando no pronoto, uma faixa transversal estreita, preta, próxima da separação da cabeça com o tórax, não unida com a faixa posterior; pronoto com margem lateral oblíqua, ângulo posterior com uma pequena faixa preta; mesonoto um pouco convexo, com três faixas pretas longitudinais largas unidas entre si, intercaladas com duas faixas e curvas, lateralmente com uma faixa preta estreita de cada lado; parte anterior da elevação cruciforme em forma de W com as extremidades dilatadas e pretas (Fig. 1 A); asas anteriores e posterio res hialinas, a primeira com manchas marrons esfumaçadas nas nervuras transversais da segunda e terceira células apicais (Fig. 1 I); fêmures anteriores com dois espinhos internos desenvolvidos e dois externos curtos (Fig. 1 N).
Abdômen: verde, largo, com manchas laterais pretas atingindo quase a metade de cada segmento abdominal (Fig. 1 E); nos machos, estas manchas unem-se basalmente (Fig. 1 H); re gião pleuro-esternal com pequenas manchas de coloração clara (Fig. 1 B e 1 F); fêmeas com o último urosternito visível com a margem anterior convexa e a margem posterior distintamente invaginada e com duas pequenas manchas circulares pretas (Fig. 1 C e 1 D); opérculos do macho largamente separados e não sobre - pondo a base do abdômen (Fig. 1 F); Último urosternito visível do macho duas vezes mais longo do que largo e levemente côncavo posteriormente (Fig. 1 G).
Genitália da fêmea: metade esquerda do ovipositor com cinco dentes arredondados; os três primeiros largos e os dois últimos estreitos (Fig. 1 D e 1 M).
Genitália do macho: lobo anterior do uncus arredondado; processo lateral do pigóforo com os bordos arredondados; lobo basal do pigóforo bem desenvolvido com a extremidade levemente esclerotizada; aedeagus com ápice arredondado e com proces so espinhoso situado pré-apical e lateralmente (Fig. 1J e 1 L).
Medidas: comprimento do corpo (fêmea): 35-40mm, (macho): 45-55mm; envergadura: 130mm.
Exúvia: globular; robusta; antena com cinco segmentos; fêmures anteriores com espinho intermediário desenvolvido separado do pente, composto por cinco dentes, o apical mais de duas vezes mais largo do que os outros; espinho posterior muito longo, basal e não arqueado (Fig. 1 O). Comprimento do corpo: 32-35mm; largura: 16 -19mm.
Material Examinado: BRASIL, Minas Gerais; Boa Esperança; II - 1983 (A. M. D ' Antonio), 2 fêmeas e 2 machos, FCAVJ; São Sebastião do Paraíso, Fazenda Experimental da EPAMIG; X- 1983 (J. C. de Souza), 5 fêmeas e 5 machos, EPAMIG ; idem X- 1984 (A. M. D ' Antônio), 1 fêmea e 1 macho, FCAVJ. São Paulo: Cristais Paulista, X- 1982 (N. R. Luzin), 4 fêmeas e 4 machos, FCAVJ ; Itirapuã, Fazenda Viradouro, IX- 1983 (W. Gonçalves), 7 fêmeas e 7 machos, FCAVJ ; Franca Fazenda Santa Cecília e Fazenda Paragon Agropecuária, IX- 1983 - (N.M. Martinelli), 10 fêmeas e 10 machos, FCAVJ, Patrocínio Paulista, Fazenda Córrego das Pedras, X- 1983 (N. M. Martinelli), 8 fêmeas e 7 machos, FCAVJ .
Características taxonômicas: ângulo posterior do pronoto dilatado; asas anteriores com manchas marrons esfumaçadas nas nervuras transversais da segunda e terceira células apicais.
Comentários: esta especie se caracteriza por ser a maior de tamanho encontrada nos cafezais do sul de Minas Gerais e Estado de São Paulo, constituindo-se, dentre todas as espécies, a mais prejudicial e de maior disseminação nestas regiões.
Através de observações de campo, verificou-se que a emergência do adulto ocorre de setembro a novembro, sendo esta emergência influenciada pela precipitação pluviométrica.
Nos levantamentos efetuados coletou-se a forma melânica de Q. gigas, observada na Argentina por TORRES (1940).
Os levantamentos de flutuações populacionais de insetos, realizados no Departamento de Entomologia da ESALQ-USP, Piracicaba, demonstraram que esta espécie é atraída por armadilha luminosa.