Serdia inspersipes Stål, 1860
(Figs. 4, 21, 41, 60, 75, 89, 97, 117)
Serdia inspersipes Stål, 1860: 26 (descrição); Stål 1872: 45 (redescrição, catálogo); Lethierry & Severin, 1893: 179 (catálogo).
Serdia (Serdia) inspersipes; Kirkaldy, 1909: 141 (catálogo); Becker, 1967: 94 (redescrição, chave); Thomas & Rolston, 1985: 1166 (chave).
Macho. Medidas (n=6). Comprimentototal 11,8 (12,6-11,6) 0,1; larguraabdominal 6,8 (11,6-6,7) 0,2; comprimentodacabeça 2,2 (2,2-2,0) 0,02; largura da cabeça 2,8; comprimento dos artículos antenais I 0,7 (0,9-0,5) 0,1; II 0,4; III 1,5 (1,8-1,1) 0,3; IV 1,6 (2,2-1,3) 0,6; V 1,7; comprimentodopronoto 2,8 (2,9-2,5) 0,1; largura anterior do pronoto 3,3 (3,7-3,0) 0,2; largura posterior do pronoto 6,3 (6,8-6,0) 0,3 comprimento do escutelo 5,0 (5,4-4,9) 0,1; largura do escutelo 4,5 (4,0-3,7) 0,2.
Descrição. Forma arredondada, coloração castanho-escura a castanho-clara, com pontuações castanho-avermelhadas densas euniformementedistribuídas dorsalmente. Uma estreita linha vermelha acompanha as margens laterais do pronoto e conexivo dorsalmente e margens externas do abdome, ventralmente. Cabeça com ápice estreito, margem anteocular levemente sinuosa, jugas suavemente curvas e decliventes com as margens internas num plano bem mais baixo que as margens externas, ápice estreito e contíguo diante do clípeo, podendo deixar uma pequena fenda em “V”anteriormente (Fig. 97). Primeiro artículo antenal não ultrapassando o ápice da cabeça, de coloração castanho a amarelado com pontuações castanho-escuras grosseiras e esparsas, 2 o ao 4 o enegrecidos, 5 o amarelado. Rostro atingindo o terço anteriordo metasterno. Pronoto com margens ântero-laterais crenuladas, sub-retilíneas e com uma linhavermelha submarginal acompanhando toda a margemdorsaleamargenslateraisda pleura. Ângulosumerais levemente arredondados e não desenvolvidos. Superfície enrrugada, densamente pontuada, pontuações castanhoescuras. Cicatrizes concolores. Escutelo com margem basal eventualmente com uma pequeníssima mancha central amarelada, margem apical sutilmente emarginada e delicadamente delineada de negro nas laterais. Superfície enrrugada com pontuações densas e uniformemente distribuídas. Hemiélitro com margem externa do cório emarginada. Região basal da costa sub-retilínea e crenulada, semelhante as margens-ântero laterais do pronoto, margem costal estreitamente amarelada a castanho-clara. Exocório e região apical do cório até a altura em que este toca o escutelo, densamente pontuada mais fino que o mesocório e o clavo. Uma linha de pontos acompanha externamente a veia radial e outra acompanhao freno internamente. Célula discal amarelada, em alguns inconspícua. Superfície torácica ventraldensamente pontuada, pontuações menores nas margens laterais e nas áreas evaporatórias meso e metapleurais, no restante as pontuações são maiores e mais grosseiras. Segmentos do conexivo exposto, superfície densamente pontuada, pontuações concolores na metade longitudinal externa dos segmentos 3 o a 6 o, 7 o com pontuações castanho-escuras tendendo a negra na margem apical. Uma linha avermelhada submarginal presente em todos os segmentos, contígua com a do pronoto. Ângulos póstero-laterais não apiculados do 3 o ao 6 o segmentos, 7 o apiculado e levemente escurecido. Superfície ventral do abdome densamente pontuada, pontuações castanhas Uma linha avermelhada acompanhatoda a margem externa do abdome. Espinho do 3 o segmento abdominal obtuso. Pernas de coloração castanho-claras a castanho-escuras, pontuações castanho-escuras, grosseiras, levemente mais densas nos fêmures e mais esparsas nas tíbias.
Genitália. Pigóforo de contorno subquadrangular, com pontuações castanho-escuras sobre a taça genital. Ângulos póstero-laterais elevados, moderadamente arredondados. Bordo dorsal côncavo com 1+1 processos apicais arredondados, junto aos ângulos póstero-laterais com ápices escurecidos e voltados para o interior da taça genital (Fig. 4). Bordo ventral profundamente escavado em “U” mediano, margem sinuosa até a metade da escavação, metade basal espessada, folheto interno recurvo com uma série de estrias negras medianamente (Fig. 21). Décimo segmento subquadrangular disposto perpendicularmente ao plano sagital, base ondulada e mais clara que o ápice (Fig. 4). Parâmeros digitiformes, situados paralelamente ao plano sagital, deprimidos lateralmente, com duas projeções convergentes no terço basal, sendo a mais apical rugosa na face externa ea mais basalcom um tufode pêlos naface interna (Fig. 41). Phallus: Vésica emtubo cilíndrico curto com 1/3 do comprimento da phallotheca e com 1 par de expansões laminares posteriores e um par de expansões laminares anteriores, menos volumosas, envolvendo 2/3 do ductus seminis distalis. Gonoporo secundário arredondado (Fig. 60).
Fêmea semelhante ao macho. Medidas (n=30). Comprimentototal 13,3 (14,1-11,5) 0,3; larguraabdominal 7,1 (7,5-6,3) 0,1; comprimentodacabeça 2,0 (2,1-1,8) 0,07; largura da cabeça 2,7 (3,0-2,5) 0,08; comprimentodosartículos antenais I 0,6 (0,7-0,4) 0,09; II 0,4 (0,4-0,3) 0,06; III 1,3 (1,6-1,0) 0,1; IV 1,3 (1,6-1,1) 0,1; V 1,6 (1,8-1,2) 0,2; comprimentodopronoto 2,8 (3,0-2,5) 0,1; largura anterior do pronoto 3,1 (3,5-2,8) 0,08; largura posterior dopronoto 6,3 (6,7-5,8) 0,1 comprimento do escutelo 5,0 (5,5-4,3) 0,1; largura do escutelo 3,8 (4,2-3,5) 0,1.
Genitália. Superfície das placas genitais densamente pontuada. Sétimo segmento com margem posterior côncava sobre os gonocoxitos 8. Laterotergitos 8 subtriangulares, subigual em comprimento em relação aos laterotergitos 9, bordo posterior sub-retilíneo com um pequeno espinho mediano projetado posteriormente, uma faixa estreita avermelhada acompanha a margem apical do laterotergito, sendo que em alguns exemplares é inconspícua. Laterotergitos 9 subtriangulares, fortemente convergentes e encobrindo quase totalmente o 10 o segmento, ápice arredondado e sutilmente ultrapassando a banda que une dorsalmente os laterotergitos 8. Gonocoxitos 8 subquadrangulares com o dobro do comprimento dos laterotergitos 9, margem apical côncava, bordos suturais paralelos em toda a sua extensão (Fig. 75). Gonapófise 9 com espessamento da íntima vaginal parcialmente esclerotizado em anel incompleto sobre o orificium receptaculi. Chitinellipsen situadas lateralmente ao espessamento da íntima vaginal. Comprimento do ductus receptaculi na região anterior a área vesicular quase o dobro do comprimento do ductus na regiãoposterior. Cristasanulares anterior e posterior convergentes, pars intermedialis ovalada. Capsula seminalis ovóide, com três dentes recurvos, digitiformes, dois ultrapassandoa crista anular anterior, todos surgindo da porção médio-basal (Fig. 89).
Distribuição. Brasil: Minas Gerais, Riode Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarinae Rio Grandedo Sul.
Material examinado. Holótipo macho, com as etiquetas: a) Brazil; b) F. Sahlb; c) Type; d) Typus. (NHRS) . Parátipo. BRASIL. Minas Gerais: Serra do Caraça, fêmea, 24-II a 03-III-1972, Exp. MZUSP (MZSP) . BRASIL. Minas Gerais: Serra do Caraça, 4 fêmeas, s/ col. (UFRG); Riode Janeiro: Itatiaia, 800m, fêmea, XII-1933, S. Lopes Est. Biológica (MNRJ); Itatiaia, 700m, Est. Biologica, fêmea, col. J.F.Zikán no 101/2734 (FIOC) ; Itatiaia, fêmea, 4-I-1950, W. Zikán (MNRJ); Itatiaia, L. 411.300m, fêmea, 10-12-X-1950, no 2735, Trav. Albuquerque & Pearson (FIOC); Maromba (Itatiaia), fêmea, 29-XII-1952, C. Leite, Seabra & Zikán (MNRJ) ; Itatiaia, fêmea, 8-I-1964, col. J.F.Zikan no 2732 (FIOC); Petrópolis, Le Vallon Alt. Mosélla, fêmea, 24-I a 23-II-1956, D’Albuquerque leg. (MNRJ) ; Petrópolis, Le Vallon Alt. Mosélla, fêmea, s/ data, Spanhavery, (MNRJ) ; São Paulo: Boracea, fêmea, XII-1946, no 2736, Travassos (FIOC); Salesópolis, Est. Biol . Boracea, fêmea, 25-II-1963, F. Werner & H. Reichardt leg. (MZSP) ; Salesópolis, Barueri, col. a luz, fêmea, 23-XII-1962, K. Lenko leg., (MZSP) ; Cantareira, macho, 1914, coll. MRCN no 3563, E. Garbe leg. (MCNZ); Osasco, fêmea, XII-1953, M.D’Andretta (MZSP); São Paulo, macho, s/ data, Mráz L.G.T., Museu Pragence (ZMBH); Paraná: Divisa Paraná com Santa Catarina, fêmea, XII-1974, Estrella leg. (DZUP); Santa Catarina: São Bento do Sul ( Rio Vermelho), macho e 2 fêmeas, 21-II-1974, Mielke leg., (DZUP) ; São Bento do Sul ( Rio Vermelho), 2 fêmeas, XII-1983, Exc. Dep. Zool., (DZUP) ; Rio, Vermelho, fêmea, I-1952, Dirings, coll. Dirings no 632, s/col. (MCNZ) ; Nova Teutônia, fêmea, 5-VII-1945, Fritz Plaumann (DARC); Rio Grande do Sul: Torres, macho e 5 fêmeas, 15-XI-1974, coll. MRCN nos 8723, 8731, 8738, 8741, 8743, 8745, A. Lise leg.(MCNZ); São Francisco de Paula, Pró-Mata, macho, 21-XII-1997, C. Weirauch leg. (UFRG) ; Praia de Atlântida, Osório, fêmea, 10-I-1982, J. Grazia leg., (UFRG) .
Comentários. Margem apical do escutelo refletida é uma sinapomorfia para o grupo S. inspersipes + S. robusta +. A relação de grupos irmãos entre S. inspersipes e S. robusta é estabelecida por duas reversões, corpo de formato arredondado e gonocoxitos 8 com o dobro do comprimento dos laterotergitos 9. Difere desta e de todas as espécies do gênero pelos ângulos umerais do pronoto arredondados, não pronunciados e pela presença de uma linha vermelha junto as margens ântero-laterais do pronoto, margens laterais do conexivodorsalmente emargens lateraisdapleura edo abdome ventralmente.