Serdia concolor Ruckes, 1958
(Figs. 2, 19, 36, 51, 68, 83, 96, 104, 111)
Serdia concolor Ruckes, 1958b: 12 (descrição).
Serdia (Serdia) concolor; Becker, 1967: 98 (revisão, chave); Becker & Grazia-Vieira, 1971: 20 (catálogo); Link & Grazia, 1983: 124 (registro de ocorrência); Grazia, 1984: 80 (registro de ocorrência); Thomas & Rolston, 1985: 1165 (chave); Link & Grazia, 1987: 121 (registro de ocorrência).
Macho. Medidas (n=29): comprimentototal 14,1 (15,8-12,1) 0,6; larguraabdominal 7,5 (8,2-6,2) 0,3; comprimentodacabeça 2,2 (2,5-2,0) 0,1; larguradacabeça 2,8 (3,2-2,5) 0,1; comprimento dosartículos antenais I 0,9 (1,6-0,8) 0,2; II 0,7 (0,8-0,6) 0,1; III 1,9 (2,4-1,0) 0,4; IV 2,4 (3,0-2,1) 0,6; V 2,1 (2,7-1,7) 0,4; comprimentodopronoto 3,3 (4,0-2,9) 0,2; largura anteriordo pronoto 3,1 (3,4-2,7) 0,1; largura posterior do pronoto 7,4 (8,4- 6,4) 0,3; comprimento doescutelo 5,7 (6,2-4,7) 0,2; largura do escutelo 4,6 (5,4-3,9) 0,2.
Descrição. Forma arredondada, coloração castanhoavermelhada, com pontuações ferrugíneas brilhantes, predominantemente uniformes no tamanho, densas e igualmente distribuídas. Cabeça com margem anteocular fortemente sinuosa, convergindo para um ápice arredondado e estreito; jugas contíguas apicalmente (Fig. 96); disco da cabeça fracamente escavado e provido com numerosas rugas finas, oblíquas. Primeiro segmento antenal atingindo ou excedendo o ápice da cabeça, de coloração castanhoavermelhada, bem como o 2 o artículo; 3 o enegrecido, 4 o com terço basal amarelo-escuro, porção apical negra e 5 o artículo inteiramente amarelo-escuro. Rostro não atingindo o limite anterior da placametasternal (Fig. 104). Pronoto com ângulos umerais não desenvolvidos, margens ântero-laterais subparalelas, fraca e estreitamente emarginadas; pontuações uniformes, densas e igualmente distribuídas, cicatrizes concolores. Margem apical do escutelo não emarginada e delicadamente delineada de negro nas laterais. Hemélitro com superfície densamente pontuada, pontuações atingindo a margem costal, exceto anteriormente. Célula discal pálida e envolvida por uma pequena mancha escura. Superfícietorácica ventral de coloração amarelo-escura, com pontuações ferrugíneas, grosseiras e mais espalhadas que no dorso. Segmentos do conexivo, em geral, recobertos pelo cório, superfície densamente pontuada, pontuações concolores, ângulos póstero-laterais pequenos, negros e fortemente apiculados. Superfície ventral do abdome com o espinho mediano do 3 o segmento abdominal obtuso. Pernas de coloração ocre, pontuações de cor ferrugem, conspícuas e grosseiras nos fêmures, menos densas nas tíbias, tarsos avermelhados.
Genitália. Pigóforo de contorno quadrangular; ângulos póstero-laterais com um profundo entalhe mediano, bordo dorsal arredondado, destituído de processos (Fig. 2); bordo ventralprojetando-se dorsalmente, trissinuoso, medianamente recortado em “U”. Parede ventraldo pigóforo com umaranhura pré-apical em “V” aberto, medianamente com uma pequena elevação, coincidente com a escavação mediana do bordo ventral (Fig. 19). Décimo segmento perpendicular ao plano sagital, de formato arredondado, estreitando-se apicalmente e terminando numa fileira de pêlos (Fig. 2). Parâmeros posicionados perpendicularmente ao plano sagital, subquadrangulares com duas projeções voltadas para o bordo dorsal de tamanho diferenciado, sendo a basal mais curta e com longos pêlos na margem apical; a apical levemente mais longa, mais estreita apicalmente, destituída de pêlos. Ambas projeções estão associadas entre si lembrando uma pinça (Fig. 36). Phallus. Phallotheca com 1+1 expansõeslaterais em forma de abas largas. Vésica emtubocilíndrico longo, compelo menos 2/3 docomprimento da phallotheca, pronunciadoapicalmente num par deexpansões laminares de superfície interna irregular (Fig. 51). Ductusseminis distalis extremamente curto surgindo na altura mediana do tubo cilíndrico. Gonoporo secundário arredondado.
Fêmea semelhante ao macho. Medidas (n=15). Comprimentototal 15,5 (16,8-13,8) 0,5; larguraabdominal 8,1 (8,6-7,1) 0,2; comprimentodacabeça 2,3 (2,5-2,2) 0,1; largura dacabeça 2,9 (3,2-2,7) 0,1; comprimentodos artículosantenais I 0,9 (1,1-0,7) 0,1; II 0,7 (0,8-0,7) 0,1; III 1,9 (2,1-1,6) 0,2; IV 2,3
41
(2,6-2,0) 0,3; V 2,3 (2,4-2,1) 0,1; comprimentodopronoto 3,6 (3,9-3,2) 0,1; largura anteriordo pronoto 3,2 (3,7-2,9) 0,1; largura posterior dopronoto 7,9 (8,2-6,9) 0,2; comprimento do escutelo 6,1 (6,6-5,4) 0,2; largurado escutelo 4,9 (5,4-4,2) 0,2.
Genitália. Superfície das placas genitais densa e uniformemente pontuada. Sétimo esternito com margem posterior côncava sobre os gonocoxitos 8. Laterotergitos 8 arredondados, subiguais em comprimento aos laterotergitos 9, bordoposterior sub-retilíneo com um pequeno espinho mediano. Laterotergitos 9 com ápice arredondado e não ultrapassando a banda que une dorsalmente os laterotergitos 8. Gonocoxitos 8 subtriangulares, com cerca do dobro do comprimento dos laterotergitos 9, margem posterior convexa bordos suturais paralelos em quase toda a sua extensão, divergindo no terço posterior em forma de “V” (Fig. 68). Gonocoxitos 9 com margemanteriorprojetada emlongos braços laterais sobre a gonapófise 9, margem posterior avançando sobre a base do 10 o segmento. Gonapófises 9 com espessamento da íntima vaginal totalmente esclerotizado em tubo cilíndrico levemente estreitada na extremidade, situado medianamente na gonapófise 9 e projetado ventroanteriormente. Chitinellipsen situadas posteriormente ao espessamento da íntima vaginal. Comprimento do ductus receptaculi, na região anterior a área vesicular, com 1,5 vezes o comprimento do ductus. culi na região posterior. Ductus receptaculi posterior a área vesicular relativamente longo, diferenciando-se das outras espécies, exceto S. indistincta sp. nov. Cristas anulares anterior e posterior convergentes, pars intermedialis fortemente estreita. Capsula seminalis com dentes em número variável dentro da espécie, recurvos surgindo da porção basal e levemente ultrapassando a crista anular anterior em 1/3 doseu comprimento (Fig. 83).
Distribuição: Venezuela: Distrito Federal; Brasil: Minas Gerais, Riode Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul; Bolívia: Chapare; Paraguai: Ciudad de Leste; Argentina: Misiones.
Material examinado. Holótipo macho, com as etiquetas: a) Corupá (Hansa Humbolt) S[anta]. Cath[arina], Brazil; Dec. 1944; b) A. Maller, coll. Frank Johnson doador; c) Serdia concolor Ruckes, Holotype. (AMNH) . Parátipo. BRASIL. Santa Catarina: Rio Vermelho, fêmea, XII-1944, A. Maller, coll. Frank Johnson Donor (AMNH) . BRASIL. Minas Gerais: Serra do Caraça, macho, III-1963, F. Werner, U. Martins, L. Silva (MZSP); Fazenda dos Campos, S. de Minas Gerais, macho, s/ data, s/ coletor (ZMHB) ; Riode Janeiro: Itatiaia, 800ms., macho, XII-1933, S. Lopes, E.T.R. Cunha (MNRJ); Itatiaia, 800ms., macho, 01-XII-1947, col. J.F.Zikan no 2733, J. F.Zikan (FIOC); Itatiaia, 800ms, macho, XII-1950, L. Travassos (MNRJ); Cachoeira de Macacu, 800m, fêmea, 15-X-1985, Scott E. Miller (NMNH); Petrópolis, 600m, fêmea, 10-X-1985, Scott E. Miller (NMNH); Corcovado, fêmea, 1954, Zajciv leg. (MNRJ); Corcovado, fêmea, 5-XI-1966, Carlos Roberto leg., (MNRJ); Seropédica, Est. Rio-São Paulo Km 47, fêmea, 04-II-1943, O. Braga leg., (MNRJ); São Paulo: Salesópolis, Est. Biol. Boracea, macho, 14-18-XI-1973, Exp. Mus. Zool. (MZSP) ; Ilha da Vitória, macho e 2 fêmeas, 16-27-III-1964, Exp. Mus. Zool. (MZSP) ; Ilha da Vitória, fêmeas, 18-XII-1918, Costa Lima leg., (MZSP) ; Paraná: Telêmaco Borba, Res. Samuel Klabin, malaise, macho, 27-X-1986, Lev. Ent. PROFAUPAR (DZUP); Santa Catarina: Mafra, macho, XII-1959, coll. MRCN no 3564, s/ col. (MCNZ) ; Nova Teutônia, macho, I-1939, Fritz Plaumann (NMNH), Nova Teutônia, macho, 28-I-1957, Fritz Plaumann (NMNH); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, 2 macho, 14-II-1963, Fritz Plaumann (DARC); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, 2 macho, 18-IV-1966, Fritz Plaumann (DARC); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, fêmea, XI-1966, Fritz Plaumann (DARC); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, fêmea, 11-X-1969, Fritz Plaumann (DARC); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, macho, 9-XI-1969, Fritz Plaumann (AMNH); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, 3 fêmea, I-1974, Fritz Plaumann (DARC); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, macho, II-1974, Fritz Plaumann (DARC); Nova Teutônia, 27 o 11’B 52 o 23’L, 300-500m, fêmea, Fritz Plaumann (DARC); Rio Grandedo Sul: Torres, 5 macho e 5 fêmea, 15-II-1974, coll. MRCN nos 8724,8726, 8727, 8728, 8730, 8733, 8737, 8739, 8740, 8742 respectivamente, A. Lise col. (MCNZ) ; Vila Oliva, fêmea, 20-I-1961, Pe. Buck leg. col MRCN no 3567, A. Lise col. (MCNZ); Santa Maria, macho, 08-X-1986, Q.J.Franceschet (UFRG) ; Porto Alegre, fêmea, Parque Jardim Botânico, 27-X-1997, C.F.Schwertner, (UFRG) ; Porto Alegre, Bairro Ipanema, fêmea, X-1997, J.A.M.Fernandes, (UFRG) ; BOLÍVIA. Chapare: Rio Rosquito, 1.900m, macho, 9-11-XII-1984, col. L.E. Pena (NMNH) ; PARAGUAI. Ciudad de Leste: macho, 19-XII-1971, Thomas F. Halstead coll. (DARC); Ciudad de Leste: macho, 17-XII-1971, L. Peña (NMNH) ; Pirapó, fêmea, 31-XII-1971, Thomas F. Halstead coll. (DARC); Pirapó, fêmea, 1977, L.E. Peña (NMNH) ; ARGENTINA. Misiones: Delícia, macho, 13-XI-1964, A. Kovacs (AMNH) ; Eldorado, 3 machos, 19-XI-1964, A. Kovacs (AMNH) ; Eldorado, macho, 8-XII-1964, A. Kovacs (AMNH) ; Eldorado, macho, L.N.Alem., XII-1961, A. Martinez leg. (MZSP) ; fêmea, s/ dados, 19- XII-1971, (UFRG); macho, s/ dados, 21-XII-1971, (UFRG) .
Comentários. S. concolor e S. indistincta sp. nov. formam um grupo monofilético sustentado por três sinapomorfias – folheto externo do bordo ventral do pigóforo com uma única projeção, chitinellipsen dispostas posteriormente ao espessamento da íntima vaginal, espessamento da íntima vaginal totalmente esclerotizado; porém ápice do bordo dorsal do pigóforo destituído de processos e bordo ventral do pigóforo projetado dorsalmente, homoplásicos com S. limbatipennis e S. calligera + S. maculata também corroboram o parentesco destas espécies. S. concolor distingue-se morfologicamente de S. indistincta sp. nov. pela projeção mediana da parede ventral do pigóforo, em forma de uma pequena elevação, enquanto que em S. indistincta é em forma de um espinho nítido, ductus seminis distalis extremamente curto, surgindo da altura mediana do tubo cilíndrico. Nas fêmeas as diferenças são perceptíveis apenas na forma e comprimento do espessamento da íntima vaginal, sendo em S. concolor mais longo e estreitado na base e em S. indistincta mais curto e com base truncada.